domingo, 16 de janeiro de 2011

Chegou a minha vez

Chegou a minha vez
Composição: Thauane Ariel
Coautoria Michele Ramos, Willian Cristof,
Eliza Batista
Orientação: Rosa Amélia
Eu nada mais era que um carrasco;
Um homem desregrado, aproveitador;
Um homem sem limites,
Que causava, nos outros, dor.
Um dia meu pai morreu,
Isso me fez sofrer.
Diónora, cansada de mim,
Com Ovídio foi viver.
Como se tudo não fosse bastável,
Ainda fui abandonado.
Perdi todos os meus bate-paus
Que me deixaram enrolado.
Eu, que não sou eu, Matraga
Na verdade, não sou nada
Junto com Joãozim Bem Bem
Acabei-me na vida malvada.
“Chegou a minha vez...”
Quis bancar o valentão,
Enfrentando o Major;
Ganhei uma grande surra
Que até dava dó.
Fui marcado como um boi
S’tava todo quebrado e manco
Para chegar logo ao meu fim,
Me jogaram num barranco.
Já estava quase morto
Sozinho, sem companhia
Por sorte, fui acolhido
Uma nova vida eu teria
E eu tinha muita esperança.
Vivia pagando penitência;
Não queria cumprir vingança.
Diante de Deus, vivia minha sentença.
Além de Deus, só Quim recadeiro
Comigo foi verdadeiro
Eu, que não sou eu, Matraga
Na verdade, não sou nada
Junto com Joãozim Bem Bem
Acabei-me na vida malvada.
“Chegou a minha vez...”
“Volta para a vida, homem!”
João Bem Bem me aconselhou
“ –Você não é homem de religião,
Você é homem do sertão.”
Bem Bem, homem sem coração,
Queria vingar a morte de um peão.
O pai-velho pediu comiseração
E o meu apoio teve, sem discussão.
Eu, que não sou eu, Matraga
Na verdade, não sou nada
Junto com Joãozim Bem Bem
Acabei-me na vida malvada.
“Chegou a minha vez...”

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