Por Rosa Amélia
Há momentos que estamos sempre cheios de expectativa, esperamos o primeiro beijo, o primeiro namorado, o primeiro sutiã, o primeiro filho. Crescemos.... Passamos a ter momentos de reflexão, refletimos sobre o sentido da vida, sobre os nossos conflitos, sobre o nosso crescimento, sobre o que conhecer. Amadurecemos... Queremos ter momentos de grande prazer, o prazer de viver e conviver, o prazer de ter amigos, o prazer de crescer humanamente, o prazer de ser apenas o que nos reservamos ser, o prazer de viver cada momento de forma única... Assim, é a vida, porque a viver é muito perigoso.... mas é muito gostoso, é maravilhoso... é prazeroso...
Este espaço destina-se à exposição das leituras e (re)leituras dos textos de Guimarães Rosa realizadas pelo leitores do grupo urucuiano "Ser Tão Rosa: palavras de sertanejo".
quinta-feira, 31 de março de 2011
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Sagarana: obra e topônimo.
O grupo de leitores "Ser Tão Rosa" esteve em Sagarana na última festa, para cantar, recitar e apresentar filme dos textos de Guimarães Rosa. Hoje Sagarana é uma reserva ecológica, já foi um assentamento de terra, o primeiro realizado pelo Incra em Minas Gerais e levou esse nome para homenagear João Guimaraes Rosa. Sagarana pertence ao município de Arinos (Antiga Barra da Vaca), região banhada pelo rio Urucuia e repleta de vastas veredas com os mais lindos buritizais.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
A Terceira Margem do Rio
Este filme é uma produção amadora, baseada no conto de Guimarães Rosa "A Terceira Margem do Rio", realizada pelo grupo de leitores: Ser Tão Rosa: palavras de sertanejo, os quais estudam no Instituto Federal do Norte de Minas Gerais - Campus Arinos e são orientados pela professora Rosa Amélia.
Vez e hora, Deus sem demora?
Por Eliza Batista
Procissão entrou, reza esbarrouUma multidão ao leiloeiro rodeou
E um bando de bate-paus
Por ali se mostraram, mais ainda, maus
Entre muitos bêbados
Angélica e Sariema estavam
Eles realizavam o leilão
E nele, Sariema disputavam
Ouvindo o lance inicial
Nhô Augusto mostrando valentia
Deu o lance de 50 mil réis
Pra mostrar que com ele ninguém competia
Arrastando Sariema pelo braço
Daquele lugar Nhô Augusto se retirou
Caminhou para o Beco do Sem-Ceroula
Onde ali ele Sariema despachou
Esbarrando em Quim mensageiro
Que um recado da esposa trazia
Disse que ela, Diónora, o esperaria
Nhô Augusto não esperou nem o pobre falar
E foi dizendo que pra casa não iria voltar
Nhô Augusto tinha combinado
Pra Morro Azul viajar
Com Diónora e sua filha
Assim que o dia clarear
Nhõ Augusto se recusou
Com sua esposa e filha viajar
Mandou Quim arrear os cavalos
E mandou que ele fosse em seu lugar
Quando da boa nova ficou sabendo
Diónora feliz se jubilou
Pois com Ovídio fugiria
Ela não mais amava o marido
A pobre, já cansada, queria alforria
Já não tinha mais alegria
Assim, com Ovídio se salvaria
Os bate-paus de Nhô Augusto
O traíram com crueldade
Juntaram-se com os capangas do Consilva
E lhe deram uma surra sem piedade
Os homens com muita maldade
Nhô Augusto com ferro quente foi marcado
Logo em seguida caiu em uma ribanceira
E por um casal de negros foi encontrado
O casal cuidou muito bem dele
E ele os retribuía com muita gratidão
Até chamaram um padre
Para que Nhô Augusto fizesse confissão
Assim passou a viver
Pagando por todos os erros
Nhô Augusto só tinha um lema
P’ra o céu ele ia nem que fosse
Abaixo de porrete
Quando da surra já estava curado
Nhô Augusto resolveu sair sem destino
Levando consigo o casal que o acolheu
Contando de sua vida sem desatino
Nessas andanças sem rumo
Um dia encontrou com Tião de Tereza
Que ao reconhecê-lo lhe botou ao prumo
De que Quim havia morrido em sua defesa
E que sua filha estava na vida de safadeza
Quando ficou sabendo da notícia
Nhõ Augusto ficou assim triste, assim vingativo
Deseja voltar e mostrar de a sua valia
Pela promessa de a Deus seguir, persistiu pensativo
Quando numa pequena vila chegou
Onde o povo mal se mexia
Com Joãozinho Bem-Bem encontrou
Tira-prosa e mostrando valentia
Joãozin Bem-Bem, ao cumprimentar, Nhô Augusto
Disse-lhe que só estava de passagem
Só queria descansar um pouco
Para seguir adiante a viagem
A partir de um desentendimento
Começaram a se contestar
Ao golpear João Bem-Bem
Este caiu no mesmo lugar
Nhõ Augusto, também, todo ensaguentado
Desejou o último pedido
Põe a benção na minha filha
E de todos os meus pecados tô arrependido
Quando estava quase desfalecido
Nhô Augusto fez a revelação
Todos ali ficaram espantados
Quão grande foi a sua transformação
Nhô Augusto era Matraga,
Matraga não é Matraga, não é nada.
Matraga é Esteves. Augusto Esteves,
filho do Coronel Afonsão Esteves
Era homem forte convalescido
E por Deus perdoado.
Esse texto é uma releitura do texto "A hora e a vez de Augusto Matraga" escrito por Eliza, a partir das leituras realizadas pelo grupo "Ser Tão Rosa: palavras de sertanejo".
Os contadores de estórias
Essa turma fez bonito, recitando Guimarães Rosa, em um encontro de professores do Vale do Urucuia, realizado pela Secretaria Municipal de Arinos, a Universidade de Brasília e o Instituto Federal - Campus Arinos. O encontro centrou na discussão acerca da importância da prática de LEITURA em sala de aula. O grupo "Ser Tão Rosa: palavras de sertanejo" brilho e comoveu muitos professores. E demonstrou prova de que LER vale à pena.
domingo, 16 de janeiro de 2011
Chegou a minha vez
Chegou a minha vez
Um homem desregrado, aproveitador;
Um homem sem limites,
Que causava, nos outros, dor.
Um dia meu pai morreu,
Isso me fez sofrer.
Diónora, cansada de mim,
Com Ovídio foi viver.
Como se tudo não fosse bastável,
Ainda fui abandonado.
Perdi todos os meus bate-paus
Que me deixaram enrolado.
Eu, que não sou eu, Matraga
Na verdade, não sou nada
Junto com Joãozim Bem Bem
Acabei-me na vida malvada.
“Chegou a minha vez...”
Quis bancar o valentão,
Enfrentando o Major;
Ganhei uma grande surra
Que até dava dó.
Fui marcado como um boi
S’tava todo quebrado e manco
Para chegar logo ao meu fim,
Me jogaram num barranco.
Já estava quase morto
Sozinho, sem companhia
Por sorte, fui acolhido
Uma nova vida eu teria
E eu tinha muita esperança.
Vivia pagando penitência;
Não queria cumprir vingança.
Diante de Deus, vivia minha sentença.
Além de Deus, só Quim recadeiro
Comigo foi verdadeiro
Eu, que não sou eu, Matraga
Na verdade, não sou nada
Junto com Joãozim Bem Bem
Acabei-me na vida malvada.
“Chegou a minha vez...”
“Volta para a vida, homem!”
João Bem Bem me aconselhou
“ –Você não é homem de religião,
Você é homem do sertão.”
Bem Bem, homem sem coração,
Queria vingar a morte de um peão.
O pai-velho pediu comiseração
E o meu apoio teve, sem discussão.
Eu, que não sou eu, Matraga
Na verdade, não sou nada
Junto com Joãozim Bem Bem
Acabei-me na vida malvada.
“Chegou a minha vez...”
Composição: Thauane Ariel
Coautoria Michele Ramos, Willian Cristof,
Eliza Batista
Orientação: Rosa Amélia
Eu nada mais era que um carrasco;Coautoria Michele Ramos, Willian Cristof,
Eliza Batista
Orientação: Rosa Amélia
Um homem desregrado, aproveitador;
Um homem sem limites,
Que causava, nos outros, dor.
Um dia meu pai morreu,
Isso me fez sofrer.
Diónora, cansada de mim,
Com Ovídio foi viver.
Como se tudo não fosse bastável,
Ainda fui abandonado.
Perdi todos os meus bate-paus
Que me deixaram enrolado.
Eu, que não sou eu, Matraga
Na verdade, não sou nada
Junto com Joãozim Bem Bem
Acabei-me na vida malvada.
“Chegou a minha vez...”
Quis bancar o valentão,
Enfrentando o Major;
Ganhei uma grande surra
Que até dava dó.
Fui marcado como um boi
S’tava todo quebrado e manco
Para chegar logo ao meu fim,
Me jogaram num barranco.
Já estava quase morto
Sozinho, sem companhia
Por sorte, fui acolhido
Uma nova vida eu teria
E eu tinha muita esperança.
Vivia pagando penitência;
Não queria cumprir vingança.
Diante de Deus, vivia minha sentença.
Além de Deus, só Quim recadeiro
Comigo foi verdadeiro
Eu, que não sou eu, Matraga
Na verdade, não sou nada
Junto com Joãozim Bem Bem
Acabei-me na vida malvada.
“Chegou a minha vez...”
“Volta para a vida, homem!”
João Bem Bem me aconselhou
“ –Você não é homem de religião,
Você é homem do sertão.”
Bem Bem, homem sem coração,
Queria vingar a morte de um peão.
O pai-velho pediu comiseração
E o meu apoio teve, sem discussão.
Eu, que não sou eu, Matraga
Na verdade, não sou nada
Junto com Joãozim Bem Bem
Acabei-me na vida malvada.
“Chegou a minha vez...”
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A menina de lá
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Campo geral (fragmentos)
Conversa de Bois
A hora e a vez de Augusto Matraga
Soroco, sua mãe e sua filha
Fita Verde no Cabelo
Fatalidade
Famigerado
Grande Sertão: Veredas (Fragmentos)
Duelo
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Coração cresce de todo lado. Coração vige feito riacho colominhando por entre serras e varjas, matas e campinas. Coração mistura amores. Tudo cabe. G. Rosa